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Torta Capixaba é uma união de receitas indígena e portuguesa

A culinária do Estado do Espírito Santo é mais conhecida pela Moqueca Capixaba. Poucos conhecem a Torta Capixaba. Sem desmerecer a primeira, esta poderia ser classificada como a iguaria símbolo dos 400 quilômetros de litoral e praias magníficas à disposição de todos na Região Sudeste do Brasil.

 

Torta Capixaba: culinária do Estado do Espírito Santo

 

A Torta Capixaba é um dos pratos mais saborosos da culinária criada nos 400 quilômetros de praias do Estado do Espírito Santo. E tem tudo para ser considerada a iguaria símbolo da terra mais conhecida pela Moqueca Capixaba — sem diminuir as qualidades desta última.

Afinal, moqueca é capixaba; as outras são peixadas! Mesmo já conhecedores disso, todo o litoral do Brasil teima em oferecer peixadas valorizadas como “moquecas”, mas ninguém, até hoje, tomou coragem de apresentar uma “tortinha” para rivalizar com aquela, só nossa.

A base de sua receita é milenar. Vejam só! Em 1500, o escrivão Pero Vaz de Caminha, na carta enviada a Portugal descrevendo as descobertas da frota comandada por Pedro Álvares Cabral, cita os nativos da Bahia alimentando-se de frutos do mar misturados com palmito.

 

Torta Capixaba — Receita milenar. Em 1500, o escrivão Pero Vaz de Caminha, na carta enviada a Portugal descrevendo as descobertas da frota comandada por Pedro Álvares Cabral, cita os nativos da Bahia alimentando-se de frutos do mar misturados com palmito

 

Torta Capixaba: iguaria aprimorada durante séculos

 

Com certeza, um costume também presente na alimentação dos habitantes da extensa e bela faixa de areia dourada então limitada pelo Rio Mucuri, ao Norte, e Rio Itabapoana, ao Sul, compondo o litoral e o limite Leste da Capitania Hereditária de Vasco Fernandes Coutinho.

Naquela mistura simples estava o embrião da moderna Torta Capixaba, cuja receita e modo de preparo foram sendo aprimorados através dos últimos cinco séculos. Isso aconteceu por influência do constante contato com a rica tradição culinária dos colonizadores portugueses.

Historicamente, vivendo de frente para o Oceano Atlântico, incorporaram à própria cultura o costume de comer frutos do mar. E, mais ainda, durante os dias da Semana Santa, pois a Igreja Católica, muito forte, proibia a ingestão de ave, boi, caça ou porco naquele período.

 

Torta Capixaba — Receita e modo de preparo foram aprimorados através dos últimos cinco séculos. Isso aconteceu por influência da tradição culinária dos colonizadores portugueses. Vivendo junto ao oceano, incorporaram à própria cultura o costume de comer frutos do mar

 

Torta Capixaba: portugueses incorporam bacalhau

 

Aqueles de maiores posses optavam pelo bacalhau. Afinal, desde o século IX, anos 1000, dominavam a arte da captura e conservação desta preciosidade. O cardápio consistia num bolo salgado, assado, com massa de carne desfiada daquele peixe misturada aos mariscos.

Sem dúvida, patrícios acompanhando Vasco Fernandes Coutinho na luta pela colonização das terras da Capitania do Espírito Santo, vivendo inicialmente próximo à orla, reuniram as duas receitas. Ao juntar bacalhau, mariscos e palmito e bacalhau, criaram a Torta Capixaba.

Se formos analisar as razões da Torta Capixaba ser menos popular, menos conhecida, que sua irmã mais famosa, a Moqueca Capixaba, podemos relacionar as seguintes conclusões: custo maior, preparo mais elaborado e consumo associado apenas durante a Semana Santa.

 

Torta Capixaba — Menos popular, menos conhecida, que a irmã mais famosa, a Moqueca Capixaba, pelo custo maior, preparo mais elaborado e consumo associado apenas durante a Semana Santa. Hoje pode ser saboreada o ano todo, inclusive com receitas mais em conta

 

Torta Capixaba: opções saborosas mais em conta

 

A presença do bacalhau e dos mariscos explicam a primeira causa. A reunião de tudo isto de modo equilibrado justifica a segunda. E a antiga tradição católica, trazida para cá pelos colonizadores portugueses, esclarece a terceira. Só esta última desapareceu por completo.

Em casa, ou nos restaurantes especializados em culinária capixaba presentes ao longo do litoral do Estado do Espírito Santo, pode-se degustar Torta Capixaba todos os dias do ano. Não há como fazer isso toda hora, pelo preço, mas, de vez em quando, é um enorme prazer.

Observação importante: a receita da Torta Capixaba é das mais democráticas possíveis. Em vez do bacalhau, pode-se usar peixe seco — e até mesmo repolho. Os mariscos podem ficar de fora por completo, ou sendo integrados um a um, sem a necessidade de se colocar todos.

 

Torta Capixaba — A receita da Torta Capixaba é das mais democráticas possíveis. Em vez do bacalhau, pode-se usar peixe seco — e até mesmo repolho. Os mariscos podem ficar de fora por completo, ou sendo integrados um a um, sem a necessidade de se colocar todos

 

Torta Capixaba: ingredientes para servir seis pessoas

 

  • Vegetais

 

500 gramas de palmito natural

Alho

Azeitona

Cebola

Cebolinha verde

Coentro

Limão

Tomate

 

  • Frutos do mar

 

200 gramas de badejo

200 gramas de camarão

200 gramas de caranguejo

200 gramas de ostra

200 gramas de siri

200 gramas de sururu

500 gramas de bacalhau

 

  • Outros

 

Azeite doce

Sete ovos

 

  • Modo de preparo

 

Cozinhar o palmito, apenas com água, durante cinco minutos.

Espremer o palmito cozido num pano de prato, até ficar bem seco.

Fazer moquecas com o camarão, caranguejo, ostra, siri e sururu, separadamente.

Quando prontas, retirar todo o caldo, deixando cada marisco o mais seco possível.

Desfiar o caranguejo e o siri.

Retirar todo o sal do bacalhau, cozinhando previamente, para depois desfiá-lo.

Juntar azeitona, cebola, cebolinha verdade e coentro, temperar com azeite de oliva e limão, e refogar, mexendo até desaparecer a água e ganhar consistência.

Sem tirar do fogo, junte o palmito ao refogado e continue mexendo até desaparecer a água e criar consistência.

Faça o mesmo com os mariscos, até desaparecer a água e criar consistência.

Agora, retire do fogo, para resfriar um pouco.

Enquanto o refogado esfria, faça clara em neve com seis ovos.

Junte a clara em neve ao refogado, adicione o bacalhau e misture bastante.

Coloque tudo numa panela de barro, de preferência.

Se não tiver panela de barro, serve refratário de cerâmica ou travessa de alumínio.

Faça clara de neve com o ovo que sobrou e cubra a torta com ela.

Coloque por cima rodelas de cebolas, com azeitonas no meio delas, para decorar a parte superior.

Leve ao forno e asse até aquela espuma ficar bem corada.

 

 

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Todas as fotos têm origem identificada. Se o autor de algumas delas discordar do seu uso, basta avisar que será substituída.

Matéria publicada originalmente pelo Jornal Turismo & Serviços — turismoeservicos.com.br —, sediado na Cidade de Vila Velha, localizada no litoral do Estado do Espírito Santo, sendo vizinha, pelo Sul, da Cidade de Vitória, a capital do território capixaba. E também republicada pelo Jornal Passaporte — facebook.com/jornalpassaporte —, sediado na Cidade de Belém, capital do Estado do Pará, sendo editado a partir da Cidade de Portalegre, no Oeste do Estado do Rio Grande do Norte.

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