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Sucesso da Sequinhas mostra um Brasil capaz de superar tempos tão desfavoráveis

Casal cria empresa dentro de casa. Marca de chips de frutas e vegetais desidratados sai do zero em busca do infinito. Fracassos iniciais substituídos por vitórias atuais. Crescimento seguro, sempre pé no chão. Vendas ultrapassam fronteiras do Estado do Espírito Santo, espalhando-se pelo Brasil. 

 

Sequinhas: derrubando pessimismo de Rui Barbosa

 

O então senador Rui Barbosa, em pronunciamento no Senado Federal num dia de 1914, usou um dos parágrafos do seu discurso para traçar o retrato do Brasil daquela época. E, passados 100 anos, infelizmente, o texto descreve com fidelidade o País de hoje em dia.

— Ao lado da vergonha de mim, tenho pena de ti, povo brasileiro, que, de tanto ver triunfar as nulidades, prosperar a desonra, assistir o poder crescer nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da honra, a rir da virtude e ter vergonha de ser honesto.

Esta mensagem me veio à mente ao deixar a sede da Sequinhas, após entrevistar seus proprietários, os empreendedores Maíra Welerson e Bruno Alessandro Lazzarini. O esforço dos dois, e de outros como eles, derruba o pessimismo do nosso Águia de Haia.

Apesar do Land Rover lá atrás, tríplex à beira-mar depois, malas de dinheiro há algum tempo, coleção de relógios de marca logo agora, há brasileiros lutando honestamente para criar riqueza, gerar trabalho e distribuir renda — mesmo tendo muito contra eles.

 

Sucesso da Sequinhas mostra um Brasil capaz de superar tempos tão desfavoráveis
Sequinhas — O esforço de um casal de empreendedores jovens é capaz de contrariar o pessimismo expresso pelo senador Rui Barbosa, no início do século XX, anos 1900. E o brasileiro não precisa desanimar da honra, rir da virtude e ter vergonha de ser honesto

 

Sequinhas: criando riqueza, gerando trabalho

 

Corria o ano de 2014 quando a jovem Maíra, vivendo na Cidade de Vitória, capital do Estado do Espírito Santo, formada em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo, sonhava aprimorar seu Inglês, de preferência fazendo um intercâmbio estudantil.

Ainda cursando a faculdade, havia estagiado numa das maiores mineradoras do mundo, experiência enriquecedora para seu curriculum vitae. Saindo de lá, arranjara colocação numa empresa do ramo de metalurgia, com perspectivas de crescimento profissional.

Mas esperava apenas o melhor momento para desligar-se de tudo por aqui e dispender longo período no exterior: Austrália, Canadá, Estados Unidos da América, Inglaterra… Havia um mundo de oportunidades à sua frente, bastando decidir-se pela melhor opção.

Tudo mudou da água para o vinho ao descobrir estar grávida do então namorado Bruno. Como não dava mais para deixar o País, criança a caminho, o melhor seria continuar no emprego: salário todo final do mês, plano de saúde para a família, tíquete refeição etc.

Finda a Licença Maternidade, hora de voltar ao batente, apesar do remorso de deixar a filhinha sob os cuidados de terceiros. Ao chegar à empresa, mal teve tempo de chegar aos escritórios, sendo chamada ao Setor de Pessoal para ser informada de sua demissão.

 

Sucesso da Sequinhas mostra um Brasil capaz de superar tempos tão desfavoráveis
Sequinhas — Sonho da fundadora era fazer intercâmbio. Formada em Economia, queria aperfeiçoar o Inglês. Uma gravidez inesperada mudou radicalmente sua vida. Prioridade de se manter no emprego desaparece ao fim da Licença Maternidade, com sua demissão

 

Sequinhas: oportunidade para empreender

 

Voltou para casa com bom troco no bolso: aviso prévio pago sem obrigação de cumprir, duas férias vencidas e multa rescisória no valor de 40% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço — FGTS, além de poder sacar todo este último, caso necessário.

Com Bruno empregado na área de tecnologia da informação, não havia motivos para desespero. Dava para tomar decisão com calma e tranquilidade. Começou a pensar em atuar por conta própria, talvez em casa mesmo, para não se afastar muito da pequenina.

Muitas ideias povoaram sua mente, mas nada apaixonante, capaz de tirá-la do conforto. Entretanto, esta situação não durou muito. Bruno foi dispensado do serviço. Agora, ela e ele estavam desempregados, com a enorme responsabilidade de alimentar uma criança.

Os recursos acumulados, gastos com parcimônia, davam para alguns meses. Mas era preciso encontrar uma saída rapidamente. Bruno, em vez de ficar parado, esperando a sorte cair do Céu, passou a vender lanches naturais com a marca Sequinhas pelas praias.

 

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Sequinhas — Enquanto Maíra não encontrava uma ideia apaixonante, outro problema abala a tranquilidade do casal: demissão do Bruno. Este, em vez de esperar a sorte cair do Céu, passou a vender lanches naturais, divulgando a marca Sequinhas, pelas praias

 

Sequinhas: insight chips de frutas durante banho

 

Maíra dava tratos à bola em busca de algo cativante quando, no meio de um banho, teve um primeiro insight: “Vou fazer chips de frutas.” Um segundo insight fixou o nome do futuro negócio: “Sequinhas”. Um terceiro, a marca de apresentação do empreendimento.

Nem bem terminou a higiene e se vestiu, acessou a Internet, catando informações sobre a atividade da qual nada sabia. Foram dias e dias nesta busca. Enquanto amamentava a neném apoiada no braço esquerdo, com a mão direita manuseava habilmente o celular.

Navegando por sites, despachando mensagens solicitando informações, respondendo manifestações, não demorou para dominar a teoria. Era hora de testar o conhecimento apreendido. Comprou os ingredientes e, usando o forno do fogão, não alcançou sucesso.

O fracasso não a intimidou. Voltando à Web, descobriu o equipamento necessário: era a mesma máquina de desidratração usada na produção de tomate seco. Sem testar antes, arriscou e encomendou. Ela foi entregue no apartamento deles, num sábado pela manhã.

 

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Sequinhas — Um forno enorme, embalado em ripas de madeira, sendo entregue no apartamento deles, surpreende o responsável pelo transporte: “Vocês vão utilizar isso aqui dentro?” — pergunta ele, demonstrando surpresa e duvidando daquilo dar certo

 

Sequinhas: primeira leva de chips é sucesso

 

Um dos responsáveis pelo transporte, surpreso com aquele trambolho enorme na área de serviço da moradia diminuta, chegou a perguntar: “Vocês vão utilizar isso aqui dentro?” Mesmo frente a confirmação por Maíra e Bruno ele e o ajudante pareciam não acreditar.

Retirado da caixa, ligado na tomada, o forno precisava aquecer, vazio, pelo menos 12 horas. Como tinham de ir a uma festa para ir, pediram à mãe de Maíra para cuidar da neta. Apavorada com o calor dali emanando, ficou com medo de haver uma explosão.

Passado o período de teste, era hora da primeira produção. Os chips de banana ficaram ótimos. Dominada a fabricação, a intenção inicial de vender a granel não funcionou. Era necessário embalar em pequenas quantidades, e encaminhar grandes lotes aos varejistas.

Bruno usou o computador para fazer a arte da marca aplicada em adesivos com todas as informações exigidas pela legislação. Estes são colados na parte externa de embalagens plásticas transparentes, fechadas a vácuo depois de carregadas com os chips respectivos.

 

Sucesso da Sequinhas mostra um Brasil capaz de superar tempos tão desfavoráveis
Sequinhas — Bruno fez a arte da marca. Aplicada em adesivos com as informações exigidas pela legislação, estes são colados na parte externa de embalagens plásticas transparentes, fechadas a vácuo depois de carregadas com os chips respectivos

 

Sequinhas: redes sociais divulgam produtos

 

Novo problema surgiu diante deles: como tornar as Sequinhas conhecidas? Sem verba para fazer propaganda, começaram a enviar pacotes para influenciadores digitais. Estes, na sua totalidade, após provar os diferentes sabores, enchiam seus perfis com elogios.

Facebook e Instagram são outros canais — aliás, ainda bem utilizados. Num trabalho de formiguinha, a marca começa a ganhar envergadura, mas não na dimensão necessária à sustentabilidade. As vendas estavam aquém de suprir as necessidades daquela família.

Aí, surge a opção de assumir uma cafeteria, funcionando numa área comercial exibindo boas perspectivas. Os proprietários não tiveram sucesso e passavam a operação sob boas condições financeiras. Topam o negócio, mais para ampliar a divulgação das Sequinhas.

Seis meses de esforços não foram suficientes para evitar o fracasso. E o pior: consumir o restante dos recursos. A solução: Maíra continua produzindo chips em casa e Bruno volta a vender sanduíche natural nas praias, cuidando também das entregas dos pedidos.

 

Sucesso da Sequinhas mostra um Brasil capaz de superar tempos tão desfavoráveis
Sequinhas — Novo transtorno: assumem uma cafeteria para ajudar na divulgação da marca e o negócio não dá certo. Bruno volta a vender sanduíches naturais nas praias e entregar pessoalmente as embalagens de chips produzidas por Maíra dentro de casa

 

Sequinhas: novas variedades, novos compradores

 

Aos poucos, com paciência, as vendas vão crescendo. Algumas vendas diretas, com os produtos enviados via Correio, para cidades do interior do Estado do Espírito Santo e endereços além das fronteiras capixabas. Mas o foco mantinha-se: atender apenas lojas.

A variedade das Sequinhas crescia: abacaxi, banana em três modalidades, batata-doce, batata-palha, biscoito vegano com coco e milho, biscoito cream-cracker de farelo de arroz, coco, coco com biomassa — diferencial importante: tudo natural, sem químicas.

Aliás, este é um dos diferenciais deste tipo de alimento. O processo de desidratação só elimina líquidos. Todas as características originais permanecem. Deixe de ser perecível e, lacrado, sem contato com ar atmosférico, mantém-se conservado por longos períodos.

Era hora de deixar o apartamento e, então, alugam uma pequena loja. Pequena, mesmo: 20 metros quadrados (biombo de compensado sem acabamento cria um escritório com dois metros quadrados na parte da frente) mas com um inconveniente sério: sem janelas.

 

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Sequinhas — A variedade das Sequinhas cresce: abacaxi, banana em três modalidades, batata-doce, batata-palha, biscoito vegano com coco e milho, biscoito cream-cracker de farelo de arroz, coco, coco com biomassa —importante: tudo natural, sem químicas

 

Sequinhas: um ano trabalhando numa sauna

 

O processo de secagem das frutas transfere muito calor para o ambiente. E o sofrimento cresce mais ainda, com a incorporação de novos fornos. Mesmo assim, eles ficaram lá, trabalhando dentro da sauna, durante um ano, tempo de duração do contrato de aluguel.

Atualmente, ocupando três salas em segundo andar, ambientação bem mais ventilada, trabalham três funcionários e, agora, três sócios-gestores. Carolina Welerson, irmã de Maíra, passou a integrar a sociedade, sendo responsável por administrativo e financeiro.

Maíra dá conta da produção e criação de novos produtos; Bruno, comercial e logística das entregas. Essas crescem dia a dia: já são mais de 100 pontos de venda, no Estado do Espírito Santo, Estado de Minas Gerais, Estado do Rio de Janeiro e o Distrito Federal.

Completados três anos de vida, o trio mantém o pé no chão em termos de expansão. Os passos são pensados e repensados, e só acontecem quando há um mínimo de segurança. Afinal, todo o esforço já dispendido, e ainda a ser exigido, não pode ser desperdiçado.

 

Sucesso da Sequinhas mostra um Brasil capaz de superar tempos tão desfavoráveis
Sequinhas — Fábrica nova. Carolina Welerson, irmã de Maíra, cuida da administração; Maíra, produção; Bruno, comercial e logística. Já são 100 pontos de venda no Estado do Espírito Santo, Estado de Minas Gerais, Estado do Rio de Janeiro e o Distrito Federal

 

 

A repetição da expressão “Sequinhas”, e outras mais, é intencional. Elas são as principais palavras-chave dos conteúdos. Colocá-las várias vezes na postagem faz parte das técnicas de Search Engine Optimization — SEO, ou otimização para ferramentas de busca. Ajuda a destacar o trabalho na lista apresentada quando se pesquisa com BingGoogle ou Yahoo!.

O post “Sucesso da Sequinhas mostra um Brasil capaz de superar tempos tão desfavoráveis” não é trabalho científico, podendo apresentar erros. Se eles forem apontados, reeditarei o material com as correções. Todas as fotos têm origem identificada. Se o autor de algumas delas discordar do seu uso, basta avisar que será substituída.

Matéria publicada originalmente no site www.turismoria.com.br. Reproduzida pelo Jornal Passaporte, sediado na Cidade de Belém, capital do Estado do Pará, sendo editado a partir da Cidade de Portalegre, no Oeste do Estado do Rio Grande do Norte, e, também, pelo Jornal Turismo & Serviços, editado na Cidade de Vila Velha, situada no litoral Sul do Estado do Espírito Santo.

 

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