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Proteínas vegetais têm benefícios semelhantes aos da carne

Soja é a principal fonte deste tipo de proteína e tem benefícios que auxiliam na recuperação muscular de jovens e adultos e na diminuição do risco de câncer de mama

Muitos ainda questionam, mas a verdade é que alimentos de origem vegetal também são fontes ricas em proteínas e se equiparam a outros advindos de fonte animal. Alimentos como ervilha, milho, batata e arroz suprem as necessidades proteicas do organismo humano em uma dieta equilibrada com nutrientes de qualidade. A soja, – principal fonte de proteína vegetal – é comprovada cientificamente como a de melhor qualidade. A especialista em nutrição clínica Bárbara Peters, membro da Força-Tarefa Alimentos Funcionais do International Life Sciences Institute (ILSI) Brasil, esclarece algumas dúvidas sobre proteínas vegetais e sua composição.

“A proteína é um dos componentes mais importantes e mais abundantes dos seres vivos. Ela é formada por aminoácidos, que são fundamentais na formação de cadeias proteicas. A soja é a única dos vegetais que apresenta todos os aminoácidos essenciais em quantidades suficientes para atender as necessidades do ser humano”, afirma Bárbara, que lembra ainda que a soja tem como vantagem o custo menor – sendo uma excelente alternativa para o consumidor -, quando comparado à outras fontes de proteína.

Ao optar por uma dieta livre de carnes, por exemplo, o acompanhamento de um nutricionista é fundamental. Para compensar a quantidade necessária de nutrientes, o ideal é que o paciente tenha refeições equilibradas ao longo do dia, com ingestão de proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e sais minerais. O objetivo é que todos os aminoácidos essenciais à saúde humana sejam ingeridos em quantidades diárias recomendadas segundo orientações do profissional.

“Ao comparar no mercado, não há como o consumidor saber qual das proteínas são de fato as melhores. As metodologias para análise da qualidade das proteínas exigem conhecimento científico profissional e equipamento laboratorial, que não são acessíveis à população. Desta forma, o ideal é diversificar na ingestão de legumes, verduras e frutas para garantir a ingestão de todos os aminoácidos essenciais”, comenta Bárbara. Além da substituição da carne em dietas vegetarianas ou veganas, proteínas vegetais são uma alternativa equivalente aos alimentos de origem animal, se ingeridas em quantidade adequada.

Proteína da soja ajuda a combater o câncer?

A relação entre a proteína da soja e o auxílio na diminuição do risco de câncer existe devido aos compostos orgânicos chamados isoflavonas, que estão presentes na soja. Como são estruturalmente semelhantes aos estrogênios endógenos, tem sido sugerido que elas podem ajudar a diminuir o risco de desenvolvimento de cânceres associados a hormônios, especialmente o de mama.

De acordo com a Dra. Bárbara, a alta ingestão de isoflavonas a partir de alimentos à base de soja em países asiáticos (variação média de 25 a 50 mg/dia) tem contribuído na redução do risco de câncer de mama. Em contrapartida, a incidência de câncer de mama permanece elevada na Europa, América do Norte e Austrália / Nova Zelândia, onde a ingestão média de isoflavonas em mulheres não asiáticas é geralmente menor que 2 mg/dia. No entanto, vários fatores hereditários e de estilo de vida provavelmente também contribuem para essa diferença.

“Alguns estudos de caso-controle também relataram que a exposição precoce à soja durante a infância e adolescência pode estar associada a um menor risco de câncer de mama mais tarde na vida”, afirmou, apontando que há também estudos que sugerem que a alta versus a baixa ingestão de isoflavonas pode estar associada a uma redução modesta no risco de recorrência (RR = 0,84, 95% CI: 0,71-0,99) em sobreviventes de câncer de mama.

Proteínas vegetais x Manutenção do peso

Tanto a manutenção quanto o crescimento do tecido muscular, acontecem quando a síntese proteica muscular é maior que sua degradação. Em qualquer treino de força ou resistência, é importante ter uma nutrição adequada para promover ganho muscular e garantir sua preservação. Proteínas de alta qualidade (como a da soja) e os aminoácidos de cadeia ramificada (BCAAs), são componentes nutricionais necessários para promover crescimento muscular.

A proteína de soja é a única de origem vegetal que é bem digerida e fornece todos os aminoácidos essenciais em quantidades apropriadas para ajudar no crescimento e reparação de tecidos, tanto para crianças quanto para adultos. Ou seja, a ingestão diária recomendada pode auxiliar na recuperação muscular, o que permite consciência na execução de exercícios físicos, e tem papel fundamental na manutenção do peso.

Em idosos, o papel da proteína é ainda maior. A partir dos 35 anos, é natural a perda gradual de tecido muscular e de sua recuperação. A ingestão de proteína da soja, por exemplo, ajuda a manter o que é naturalmente perdido, auxiliando no dia a dia e na prática de exercícios, que é altamente recomendado para uma vida saudável na terceira idade. Além disso, a proteína da soja oferece outras vantagens bem estabelecidas por estudos científicos, como redução do risco cardiovascular, diminuição do mau colesterol (LDL), e aumento do bom colesterol (HDL).

Sobre o ILSI Brasil

O International Life Sciences Institute (ILSI) é uma organização mundial sem fins lucrativos, formada majoritariamente por pesquisadores e acadêmicos de renomadas instituições, cuja missão é promover ciência que melhore a saúde e o bem-estar humanos e proteja o meio ambiente. No Brasil há 28 anos, o ILSI Brasil une esforços de cientistas nas áreas de Nutrição, Biotecnologia e Avaliação de Risco. É um fórum permanente de promoção à diálogos abertos e cooperação, realizados por meio das Forças-Tarefa, que são linhas de frente de pesquisa do ILSI Brasil e desenvolvem e executam ações dentro de focos específicos. A FT Alimentos Funcionais é coordenada pelo Professor Franco Lajolo, também Presidente do Conselho Científico de Administração (CCA) do instituto e segundo a receber o título de Professor Emérito da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF USP) em 120 anos da instituição, por suas contribuições científicas.

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