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Fórum de estudos sobre a obra de Paulo Freire reúne mais de 500 pessoas na UCS.


Estudantes, professores, pesquisadores e estudiosos da obra do Patrono da Educação Brasileira (Lei 12.612 de 13 de abril de 2012) participam até sábado, no Campus-Sede da UCS, do XXI Fórum de Estudos: Leituras de Paulo Freire, que nesta edição enfoca o tema “Democracia e Lutas Sociais: Denúncias e Anúncios”.
22 anos depois da sua morte, Paulo Freire continua mobilizando as novas gerações de educandos e educadores para o estudo da sua obra. Reconhecido nacional e internacionalmente, o professor que defendia a “educação desocultadora de verdades” continua sendo um referencial para quem deseja entender o papel da educação no processo de aprender e ensinar. 
Criado logo após a sua morte, por um grupo de pessoas – acadêmicos de universidades gaúchas interessados no pensamento freiriano, o Fórum de Estudos: Leituras de Paulo Freire “se expande e vai se fazendo no caminho, se enriquecendo com novas adesões e novas linguagens”, conforme resumiu o professor Danilo Romeu Streck (UNISINOS), um dos participantes do debate de abertura da 21ª edição do Fórum, que se realiza até sábado no Campus-Sede da Universidade de Caxias do Sul, com a participação de cerca de 500 pessoas que têm interesse na vida e na obra de Paulo Freire. 
No Brasil e em muitos outros países, o pensamento freiriano é objeto de estudos dos cursos de formação de professores – da graduação à pós-graduação – como fonte inspiradora de ações que entendem a educação como prática da liberdade e o educando como sujeito da história, sendo o diálogo e o compartilhamento de aprendizagens e vivências o motor para uma experiência transformadora.
Itinerante, o Fórum pela primeira vez está sendo realizado na Universidade de Caxias do Sul, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação e da Área de Conhecimento das Humanidades. Sua organização reuniu um coletivo de estudantes e professores que trabalharam para oferecer aos participantes uma acolhida e uma programação que mereceu muitos elogios durante a sessão de abertura. 
O tom do evento foi dado logo na recepção, com o Monólogo Chi(bata)! apresentado pela atriz e professora de História Maiara Cemin, que emocionou o público com as falas ouvidas em sala de aula sobre a violência doméstica durante uma aula sobre a Revolta da Chibata.  Em seguida, a apresentação cênico-musical Contrapontos, montagem do Coro Juvenil Moinho-UCS, foi muito aplaudida ao trazer para o palco, o exercício da coletividade criativa, a diversidade cultural, a arte que reverbera as inquietações e novas percepções sobre o mundo, contagiando o público com a expressão da “boniteza da vida”.
Em suas falas de agradecimento e boas-vindas, a pró-reitora de Graduação, Nilda Stecanela, a coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Educação, Flávia Brocchetto Ramos, e a coordenadora do Fórum, Terciane Ângela Luchese  (foto à esquerda), agradeceram a todos que se envolveram na organização do Fórum e enfatizaram a relevância do evento realizado em um momento em que, no Brasil e no mundo, o diálogo e a abertura para o outro são cada vez mais necessários.
A professora Terciane também agradeceu a todos os apoiadores que colaboraram para a realização do Fórum, destacando o Sindicato dos Professores do Ensino Privado do RS e a Comissão de Educação do Município de Caxias do Sul, que fez uma moção de apoio à realização do evento. 
Ela encerrou as boas-vindas, fazendo uma homenagem ao professor Balduíno Antônio Andreola, professor emérito da UFRGS, presente no evento e um dos fundadores do Fórum, que escreveu, inspirado em Paulo Freire: “O mundo não é, o mundo está sendo. O Brasil não é, o Brasil – ou os Brasis–  está sendo”.
O Círculo Dialógico Democracia(s) e Direitos Humanos foi montado no palco com os professores Cheron Zanini Moretti (UNISC); Sérgio Haddad (UCS); e Danilo Romeu Streck (UNISINOS)  e a medicação do professor Everaldo Cescon (UCS), que trouxeram suas contribuições sobre o Pensamento Freiriano e o momento atual em que vivem as democracias. 
A professora Cheron trouxe exemplos do noticiário das últimas semanas e do cotidiano da sala de aula que apontam, no campo político e educacional para uma “negação” das ideias de Paulo Freire.  Ao lembrar que a “democracia não ocorre por decreto, mas é sim um processo, uma conquista coletiva”, a professora afirmou que é necessário “defender o direito de aprender e de ensinar – ou de ensinar e de aprender – com liberdade.
O professor Sérgio Haddad abordou o fenômeno mundial de crescimento do pensamento conservador, com a aproximação do liberalismo e do autoritarismo, que evidenciam uma “dissintonia entre as práticas liberais e a democracia”. Abordando a recente pesquisa publicada pelo Pew Research Center, com dados de 27 países – inclusive o Brasil – indicando que a população mundial, em sua maioria, não está satisfeita com o funcionamento da democracia em seus países, o professor Haddad fez algumas reflexões sobre os fatores que, no caso do Brasil, levam 83% das pessoas ouvidas a se declararem insatisfeitas com a democracia brasileira. 
Ao final, o professor fez uma reflexão sobre o compromisso com as novas gerações e utilizando-se de uma frase de Paulo Freire, ele instigou a plateia com a pergunta “o que diremos aos nossos netos no futuro?” para concluir:  “No mundo em que a gente vive, manter a esperança viva é um ato revolucionário. Nós não temos o direito à desesperança”.
Ao professor Danilo Streck, coube a última fala – antes dos debates – e ele começou falando sobre a Humanização, sobre a reconfiguração do humano e da necessidade de “reencontrar nosso posto no cosmos”. Sua reflexão sobre a importância do Fórum – que se expande e se recria em novos lugares e com novas formas – pode ser sintetizada pela tríade Humanização – Reflexão – Produção.  Ao recuperar a relação da politização da educação com a humanização, ele vê o Fórum como um lugar de reflexão e um lugar de produção teórica e prática.
 “A cada dia surgem novos trabalhos de conclusão de curso, monografias, dissertações e teses inspiradas nas ideias de Paulo Freire”. Ao concluir, ele deixou algumas questões para serem aprofundadas no decorrer do evento – nos encontros por eixos temáticos que se desenvolvem ao longo desta sexta-feira. O primeiro desafio é entender, na obra e na vida de Paulo Freire, o que para ele eram os preceitos éticos e políticos. E mais: o que é a leitura de mundo em tempos de internet e fake news? Por onde passa a conscientização? As escolas formam para que tipo de cidadania?
Nesta sexta-feira, a partir das 18h, forma-se o Círculo Dialógico Lutas e Ativismo Social no Brasil Contemporâneo, com a participação dos professores José Machado Pais (ICS/ULISBOA), que falará sobre “O mundo ensinando a gente: conhecer o mundo para transformar”; Conceição Paludo (UFRGS); Mauri Cruz (CAMP/ Escola de Cidadania) e a mediação da professora Nilda Stecanela (UCS).
Na manhã de sábado, um outro Círculo Dialógico será formado para discutir “Educação e Política na Contemporaneidade”, com a participação dos professores Gomercindo Ghiggi (UFPel); Sandro Pitano (UFPel); Dinora Tereza Zucchetti (FEEVALE) e a mediação do professor Geraldo Antônio da Rosa (UCS).
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Área de Imprensa e Mídias Digitais

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